RIO – A ossada do desaparecido político Dimas Antonio Casemiro foi identificada entre as mais de 1.047 localizadas em 1990 na vala clandestina de Perus, em São Paulo. É a quarta identificação desde o descobrimento dos restos mortais, mas a primeira do trabalho realizado pela equipe de antropologia forense contratada pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos do governo federal, em 2014.

O grupo fez uma triagem e enviou mil amostras de ossadas para um laboratório na Bósnia, o único que faz exames de DNA mitocondrial, por meio dos ossos. Foi realizada uma checagem entre essas amostras e DNA de familiares. Até o momento, apenas um resultado obteve identificação, o de Casemiro. A equipe enviará mais 400 amostras nos próximos dias para que sejam submetidas ao mesmo procedimento. A família de Casemiro já foi informada e agora aguarda os restos mortais, que devem ser transladados para Votuporanga, no interior paulista.

Dirigente do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), Casemiro foi preso em 17 de abril de 1971. De acordo com as investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV), ele foi preso e torturado por quase dois dias no Destacamento de Operações e Informações – Centro de Operações e Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo até morrer. O corpo só foi encaminhado ao IML, sustenta a CNV, depois que a notícia de sua morte saiu nos jornais, no dia 18 daquele mês.

Na versão apresentada à época, ele teria trocado tiros com a polícia na rua Elísio da Silveira, no bairro Saúde, às 13 horas do dia 17 de abril. As investigações da CNV e da Comissão Especial e Mortos e Desaparecidos mostram, porém, que o corpo de Dimas, só deu entrada no IML no dia 19 de abril.

Os documentos também mostram que ele foi enterrado no dia 20 de abril no Cemitério Dom Bosco, construído pela prefeitura de São Paulo em 1971. Em 1976, os cadáveres de pessoas não identificadas e vítimas da repressão política foram transferidos para uma vala clandestina, denominada “vala de Perus”. Só em 1990, a vala foi descoberta e foram encontradas as milhares de ossadas.

Além de Casemiro, investiga-se a possibilidade de outros cinco presos políticos terem sido enterrados nessa vala. O trabalho de identificação passou por diversos problemas ao longo dos anos e sofreu críticas pelo atraso. As ossadas chegaram a ficar 15 anos paradas no Cemitério do Araçá, no bairro do Pacaembu.

Casemiro foi acusado de ter participado do assassinato do industrial Henning Albert Boilesen, da companhia Ultragaz. As empresas foram acusadas de financiar a Operação Bandeirante (Oban), que antecedeu a criação do DOI-CODI paulista.

O Globo

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